domingo, novembro 12, 2006

Reportagem especial-Tradição na várzea: Parte II

[Leia primeiro o post anterior]
O que muda é o endereço


Não muito longe dos Soares, existe a família Costa, que também tem o futebol de várzea como tradição. Moradores da cidade de São Caetano, pai e filho se divertem nos campos, mas como na maioria das histórias, a vida nos campos dos pais são sempre bem diferente das dos filhos. Ítalo Silva Costa, de também 18 anos, joga por passatempo na várzea e faz parte da equipe Júnior do tradicional time ítalo-brasileiro Juventus, situado na Mooca, Zona Leste de São Paulo. “Adoro a várzea, mas sei que lá hoje não existe futuro. Por isso jogo somente para descontrair e rir com a galera”.

Tudo pelo prazer que tem em jogar futebol, seu pai, o auditor João Carlos Costa, 53 anos, não parou de jogar, mas se diz incomodado com a falta de espaços. “Sempre gostei de futebol, moro pela redondeza há muitos anos. Antes de ter esse monte de prédios e casas que existem, eram só campos de futebol, então vivia neles. Era muito fácil o acesso, qualquer lugar que passasse existia um campo. Comecei no barrão e estou nele até hoje. Amo as peladinhas nos finais de semana”, disse João Carlos, que está fora dos campos a um mês por uma forte disputa de bola com o irmão que é do time adversário.

Ítalo não pensava em ser jogador. Foi aos poucos que a paixão por futebol surgiu, às vezes por estar no sangue da família Costa mesmo. Já que além de seu pai, têm seus tios e primos que são fissurados pelo esporte. “Assistia aos jogos dele quando criança e não me interessava, mas fui crescendo e a vontade de jogar veio. Então larguei a capoeira e fui atrás do que realmente estava afim de fazer. Hoje passo o tempo todo jogando. Sonho em ser jogador profissional, por isso tenho que batalhar”, disse o garoto que com a ajuda do pai mudou até de posição no campo, antes atacante, mas sem sucesso, seguiu o conselho da experiência e hoje joga na marcação como o pai.

João Carlos abandonou os campos da várzea por quatro anos em busca do sonho de se tornar administrador de empresas. Mas nem assim largou o esporte, pelo contrário, usou o talento a seu favor. Enquanto trazia vitórias e troféus para o time da empresa na qual trabalhava, o presidente da companhia pagava sua faculdade. Após sonho realizado e diploma conquistado, de volta para a lama! “As amizades feitas nos campos da várzea são as melhores e as mais verdadeiras, pode passar anos, mas sempre estamos juntos. Se o time não está completo, um liga para o outro e pronto, vamos jogar. É muito bom, pois sempre estamos unidos dando risadas. Não troco a várzea por nada”.

Por isso histórias entre família de jogadores de várzea não têm muita diferença. O que muda é o estado, a cidade, a zona e a rua onde vivem. Os pais guardam a trajetória com carinho, lembram da época com diversos campos e times para escolher e da importância que tinham. Já os filhos procuram na várzea o treino em busca do sucesso nos gramados. Seja de uma forma ou de outra, o campo de terra batida está no coração de todos, mas claro que cada um de sua maneira.

[... continua...]

Um comentário:

Fabiana Lopes disse...

só uma coisa a dizer: Vcs merecem a nota que tiraram.
Bjos